domingo, 24 de maio de 2009

"tudo que é sólido se desmancha no ar" (karl marx)




pulei em busca do meu destino.

logo no início, encontrei os velhos obstáculos mais uma vez à minha frente, os mesmos que me cercaram por toda minha vida. porém, desta vez foi diferente. desta vez, eu consegui passar por todos eles sem me arranhar. senti-me como se fosse imune a todos esses problemas e ri ao perceber o quanto foram banais.

comecei, então, a sentir a suavidade da brisa. ela passou pelo meu rosto, acariciando a minha face e me seduzindo num carrossel de pensamentos tranqüilos quase como se sussurrasse no meu ouvido promessas de uma nova vida. por este breve momento, eu acreditei nela com a mesma intensidade com que sempre acreditei que meu horizonte escondia por trás dele os segredos da felicidade.

toda essa magia envolvente me transformou mais uma vez em criança. inocentemente, eu me agarrei a essa nova realidade e brinquei com todas as novas descobertas que me aguardavam.

decidido a mergulhar nesse mundo misterioso, encarei o meu horizonte gélido e inerte. minhas memórias se desmancharam no ar como cinzas de um passado esquecido e, por fim, acabei eu mesmo me desmanchando na fútil tentativa de ultrapassar minha própria realidade.

mas, em algum lugar, foi possível sentir que aquela esperança de ser feliz ainda existia, porque ela era feita de algo mais que verdades e fatos: era feita de sonhos.

terça-feira, 5 de maio de 2009

envelheço na cidade


amanheço na cidade.

o sol invade meu quarto, convidativo, enquanto meu corpo resmunga contra a entrada mal vinda. já não durmo tão bem e acordo antes do despertador tocar - esta porcaria não me serve mais para nada. ao levantar-me, sinto pesar nas costas o cansaço acumulado das noites frustradas.

arrumo-me lentamente e saio de casa. durante o caminho, evito contato visual com qualquer pessoa. não tenho interesse em trocar sorrisos e compartilhar pensamentos. não acredito na hipocrisia das pessoas que tentam se convencer do prazer dos dias repetitivos.

cumpro meus deveres e volto para casa. logo que chego, acendo um cigarro e encho meu copo de uísque para aproveitar o único momento de tranqüilidade do meu dia. debruço-me na minha sacada e fixo meus olhos no horizonte, na expectativa de encontrar nele algo que me conforte e embriagar-me de álcool e desejos.

mas não, não há mais tempo para se sonhar. sou o fruto negro da minha geração. não devo sonhar, devo fazer ou perecer. acabaram-se as bebidas e os anseios, as brincadeiras e as ambições. restaram-me uma úlcera e 3 contas vencidas para pagar.

encaro minha realidade e a minha decadência. meu corpo clama por um caixão e minha mente ameaça entrar em colapso. entrego-me ao poder das pílulas para enfrentar sete horas de insônia.

envelheço na cidade.

não há mais o que fazer a não ser chorar as lágrimas amargas que encharcam a minha solidão.

perdi minha expectativas. perdi minhas esperanças. perdi minha vida sonhando com coisas que nunca serão.